A Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou contra o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o colega André Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução das investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes no INSS.

A manifestação, divulgada nesta segunda-feira (19), representa um novo capítulo da crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF), intensificada após a revelação de mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, envolvendo integrantes da Corte.

O parecer foi encaminhado no sábado (17) ao presidente do STF, Edson Fachin, e é assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand e pelos subprocuradores Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos.

Para a PGR, os elementos apresentados por Alexandre de Moraes não são suficientes para justificar a abertura de uma investigação criminal contra André Mendonça.

Procurador-geral da República, Paulo Gonet, no STF
Paulo Gonet no STF, em 9 de dezembro de 2025. Foto: Gustavo Moreno/STF (arquivo)

Relatórios da Polícia Federal não constituem provas, diz PGR

O pedido de Moraes foi apresentado em 3 de setembro, após divergências sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.

Na representação, o ministro apontou suspeitas de abuso de autoridade e questionou a atuação de Mendonça como responsável por procedimentos relacionados ao banco e às fraudes previdenciárias.

Moraes utilizou relatórios de inteligência da Polícia Federal para sustentar que haveria possíveis tentativas de direcionamento das investigações, inclusive envolvendo referências a ele e à esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, cujo escritório prestou serviços ao Banco Master.

Entretanto, a Procuradoria-Geral da República apresentou entendimento diferente.

Segundo o parecer, os relatórios utilizados na representação são documentos de inteligência que descrevem hipóteses e cenários investigativos, mas não possuem valor probatório suficiente para demonstrar a prática de um crime.

A PGR também considerou que as condutas atribuídas a Mendonça, embora possam ser objeto de críticas, não foram demonstradas como atos enquadráveis na Lei de Abuso de Autoridade.

O entendimento representa um revés para a pretensão de Moraes de ver o colega investigado criminalmente com base nos documentos apresentados.

Crise começou após revelações envolvendo Vorcaro

O conflito ganhou força depois que André Mendonça encaminhou informações relacionadas a mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, nas quais apareceram referências a Alexandre de Moraes.

A divulgação dos documentos provocou questionamentos sobre as relações do empresário com integrantes do Judiciário e intensificou divergências internas no STF.

Moraes contestou aspectos da condução das investigações e apresentou a representação contra Mendonça.

Diante da controvérsia, Edson Fachin instaurou um procedimento específico e solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.

A crise também envolveu decisões conflitantes relacionadas à direção da Polícia Federal e à supervisão das investigações.

O novo parecer, entretanto, não encerra as apurações sobre o Banco Master nem resolve as questões relacionadas às mensagens atribuídas a Vorcaro.

Decisão final ainda depende do STF

Apesar da posição contrária da PGR, André Mendonça ainda não recebeu uma decisão definitiva sobre a representação apresentada por Moraes.

O parecer ressalta que cabe ao plenário do Supremo decidir se autoriza ou não a abertura de investigação contra um integrante da Corte.

Portanto, a manifestação de Paulo Gonet não representa absolvição judicial, mas uma avaliação do Ministério Público Federal sobre a insuficiência dos elementos apresentados.

Senado pode analisar eventuais crimes de responsabilidade

Outro ponto importante do parecer envolve a competência constitucional do Senado Federal.

A PGR destacou que eventuais crimes de responsabilidade atribuídos a ministros do Supremo devem ser analisados pelo Senado, responsável pelo processamento e julgamento de pedidos de impeachment.

A questão coloca em evidência o papel institucional do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, do Amapá.

Entretanto, a manifestação da PGR não corresponde à apresentação de um novo pedido de impeachment e não determina a abertura de procedimento pelo Senado.

Até a divulgação do parecer, não havia confirmação de nova decisão de Alcolumbre relacionada especificamente a essa controvérsia.

Banco Master segue no centro das investigações

O Banco Master permanece no centro de diferentes procedimentos que apuram suspeitas de irregularidades financeiras, movimentações patrimoniais e relações do empresário Daniel Vorcaro com agentes públicos e privados.

No Amapá, uma das frentes de apuração envolve os investimentos realizados pela Amapá Previdência (AMPREV), que destinou centenas de milhões de reais a aplicações vinculadas ao banco.

Recentemente, mensagens divulgadas pela imprensa também levantaram questionamentos sobre comissões milionárias relacionadas à captação de recursos previdenciários no estado.

Não há, porém, ligação direta demonstrada entre essas aplicações da AMPREV e o parecer da PGR sobre o conflito entre Moraes e Mendonça.

Com a nova manifestação, a crise institucional envolvendo os dois ministros entra em uma fase decisiva: caberá ao Supremo avaliar se existem fundamentos para prosseguir com o pedido de investigação apresentado por Alexandre de Moraes.

ATUALIZAÇÃO — 19 de outubro de 2026, à noite

PGR também se manifesta contra revisão de prisões no caso Banco Master

Além de rejeitar o pedido de investigação contra André Mendonça, a Procuradoria-Geral da República analisou solicitações de revisão das prisões cautelares de quatro investigados no caso Banco Master.

Segundo informações divulgadas pelo SBT News na noite desta segunda-feira (19), a PGR manteve posição contrária à revisão das medidas aplicadas a Daniel Lopes Monteiro, Henrique Moura Vorcaro, Fabiano Campos Zettel e Felipe Cançado Vorcaro. O Ministério Público Federal considerou que permanecem os fundamentos que justificaram as prisões.

O parecer também reconheceu questionamentos sobre a neutralidade na condução das investigações supervisionadas por André Mendonça. Entretanto, Paulo Gonet avaliou que os elementos apresentados não demonstram conduta enquadrável na Lei de Abuso de Autoridade.

A PGR ressaltou que os relatórios internos da Polícia Federal contêm hipóteses e avaliações que não possuem valor probatório e não deram origem a diligências investigatórias. A manifestação não impede que eventuais responsabilidades sejam examinadas pelas vias legalmente cabíveis.

A decisão sobre a autorização de uma investigação contra Mendonça continua dependendo do plenário do Supremo Tribunal Federal. Até esta atualização, não havia confirmação de nova deliberação do colegiado.

Informações complementares: SBT News e Poder360, 19 de outubro de 2026.

Com informações de UOL, Folha de S.Paulo e Veja, publicadas em 19 de outubro de 2026.

Imagem de capa: André Mendonça e Alexandre de Moraes em sessão do STF, em 3 de setembro de 2026. Foto: Luiz Silveira/STF (arquivo).