Uma declaração apresentada no pedido de patrocínio de R$ 10 milhões para o Carnaval de 2026 colocou sob questionamento a atuação simultânea de Jocildo Silva Lemos na Amapá Previdência (Amprev) e na Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap).

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada em 21 de outubro, Jocildo se identificou como ex-diretor-presidente da Amprev em documentos encaminhados à Secretaria de Turismo, embora registros oficiais indiquem que ele ainda ocupava o cargo.

Conforme o jornal, o Ministério Público do Amapá instaurou um inquérito civil para investigar possível improbidade administrativa e conflito de interesses no exercício das duas funções.

Declaração contrasta com registros oficiais

O pedido de patrocínio foi apresentado em 25 de junho de 2025, com Jocildo assinando como presidente da Liesap, responsável pela organização dos desfiles no Sambódromo de Macapá.

Nos documentos descritos pela Folha, ele também declarou que a liga não possuía, entre seus diretores, dirigentes de órgãos ou entidades da administração pública estadual.

Entretanto, a edição do Diário Oficial daquele mesmo dia o identificava à frente da Amprev. Atas citadas pelo jornal registram sua participação em reuniões da previdência em maio, junho e julho de 2025.

Em 26 de junho, um dia depois da apresentação da proposta, Jocildo presidiu uma reunião do Conselho Estadual de Previdência. Entre os assuntos estava a realização de uma reunião com representantes do Banco Master para esclarecimentos sobre os investimentos da Amprev.

Governo aprovou o patrocínio

Segundo a publicação, o comitê de patrocínio do Governo do Amapá, formado por sete secretários estaduais, aprovou a solicitação por unanimidade em 2 de julho de 2025.

O contrato foi assinado em 31 de julho pela secretária de Turismo, Syntia Lamarão, e por Jocildo, representando a Liesap.

Os recursos foram liberados, os desfiles realizados e a prestação de contas aprovada pelo governo, conforme informou o jornal.

Outro ponto destacado pela Folha é a ausência de cotações específicas de mercado para justificar os custos. Segundo a reportagem, a liga apresentou uma justificativa baseada em estimativas utilizadas em parceria anterior, argumento aceito durante a análise do pedido.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira se apresenta diante do público durante atividade de escola de samba no Amapá.
Preparativos do Carnaval de 2026, em registro divulgado pelo Governo do Amapá em 20 de janeiro. Foto: Agência Grito/GEA — arquivo.

Gestor também é investigado por aplicações no Master

Jocildo está entre os investigados pela Polícia Federal no caso dos R$ 400 milhões aplicados pela Amprev no Banco Master.

As aplicações previdenciárias e o patrocínio ao Carnaval são operações distintas. A reportagem relaciona os episódios pela atuação simultânea do gestor na previdência estadual e na entidade carnavalesca.

Governo nega irregularidade; Jocildo e Liesap não responderam à Folha

Na manifestação reproduzida pelo jornal, o Governo do Amapá afirma que não houve conflito de interesses. A gestão sustenta que a Amprev não participou do repasse e que a aplicação dos recursos seguiu os parâmetros técnicos e legais.

A Folha informou, porém, que o governo não respondeu às perguntas específicas sobre os documentos do patrocínio.

Ainda segundo o jornal, Jocildo e a Liesap não responderam aos questionamentos enviados em 6 de outubro. As suspeitas relatadas permanecem sob investigação.

Com informações de Folha de S.Paulo.