A Câmara Municipal de Macapá foi palco de momentos de tensão e confusão nesta sexta-feira (9), data em que deveria ocorrer a eleição da nova Mesa Diretora para o biênio 2027–2028. Vereadores enfrentaram dificuldades para acessar o plenário, em um impasse que envolveu agentes da Guarda Municipal. Após a resistência inicial, parlamentares conseguiram entrar e abriram uma sessão, mas a eleição não foi realizada.

A situação foi acompanhada ao vivo pelo Balanço Geral AP, da TV Equinócio/Record, que mostrou a presença de guardas municipais e vereadores discutindo as restrições de acesso às dependências do Legislativo.

A confusão aconteceu um dia depois de o atual presidente da Câmara, Pedro DaLua (União Brasil), anunciar o adiamento da eleição para 30 de dezembro.

Marcelo Dias chega à disputa com maioria declarada

O adiamento ocorre em um momento de forte disputa pelo comando da Câmara Municipal.

O vereador Marcelo Dias (PRD), ex-presidente da Casa, protocolou na quinta-feira (8) sua candidatura à presidência, acompanhada de termos de apoio assinados por 13 dos 23 vereadores.

O número representa a maioria absoluta do Legislativo e, caso os apoios sejam mantidos até a votação, será suficiente para eleger a chapa.

Do outro lado está Pedro DaLua, atual presidente, que também pretende permanecer à frente da instituição.

A suspensão da eleição aconteceu poucas horas depois da formalização da chapa de Marcelo Dias, circunstância que ampliou a disputa política nos bastidores.

Guarda Municipal entra no centro da confusão

Nesta sexta-feira, vereadores encontraram resistência ao tentar acessar o plenário da Câmara.

A presença de agentes da Guarda Municipal na área de acesso provocou discussões, acompanhadas por profissionais da imprensa.

Apesar do impasse, os parlamentares conseguiram ingressar no plenário e deram início a uma sessão. Entretanto, a votação que definiria a presidência e os demais integrantes da Mesa Diretora não aconteceu.

O episódio levanta questionamentos sobre as restrições impostas ao acesso dos representantes eleitos pela população ao próprio ambiente de trabalho.

Também será necessário esclarecer quem determinou o bloqueio, qual foi sua fundamentação e se a sessão aberta pelos vereadores produziu algum efeito administrativo ou legislativo.

Eleição adiada para 30 de dezembro

A direção da Câmara Municipal sustenta que o adiamento atende a uma decisão do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP), relacionada ao princípio da contemporaneidade das eleições das mesas diretoras.

O novo calendário foi estabelecido pelo Edital nº 002/2026-MD-CMM, que prevê a inscrição das chapas em 29 de dezembro e a votação no dia 30, às 10h.

Marcelo Dias, por sua vez, recorreu à Justiça na tentativa de garantir a realização da eleição na data inicialmente prevista.

A abertura da sessão desta sexta-feira não significa, por si só, que a votação poderia ser realizada, especialmente diante da controvérsia judicial envolvendo o processo.

Disputa política está longe do fim

O que deveria ser uma eleição interna para definir os dirigentes da Câmara transformou-se em uma disputa que envolve decisões judiciais, articulações partidárias e questionamentos sobre o funcionamento do Legislativo municipal.

Com o apoio declarado de 13 vereadores, Marcelo Dias chega à disputa com maioria formalizada, enquanto Pedro DaLua continua no comando da Casa e defende o novo calendário eleitoral.

O episódio desta sexta-feira acrescenta um novo elemento à crise: a dificuldade de acesso dos próprios vereadores ao plenário, seguida da abertura de uma sessão sem a realização da eleição.

A expectativa agora é sobre os próximos desdobramentos judiciais e administrativos de uma disputa que poderá continuar até os últimos dias de dezembro.